Em 2026, deixou de fazer sentido dizer “vídeo IA é caro/barato” sem uma métrica comum. A mudança para cobrança por segundo permite, finalmente, pôr o budget em cima da mesa — e perceber o que é “geração” vs o que continua a ser produção.
O resultado? Para agências e marcas em Portugal, a conversa passa de “vamos experimentar” para “qual é o custo total por versão e por plataforma?”.
O que mudou: de créditos vagos para custo por segundo
O relatório propõe um cenário simples: uma campanha precisa de 10 minutos (600s) de vídeo bruto em 1080p. A conta, em API, fica assim: Sora 2 Standard $0,10/s (= $60), Veo 3.1 Standard $0,40/s (= $240), Veo 3.1 Fast $0,15/s (= $90) e LTX-Video via Fal.ai ~ $0,06/s (= $36).
Isto não é “preço final”, mas já é uma régua que faltava.
A conta que interessa a uma agência
O truque em 2026 é separar dois momentos:
1) Prototipagem barata – Usa Veo Fast ou LTX para storyboards, testes de look e aprovação do cliente: custa menos por segundo e reduz desperdício. O relatório é direto: Fast/LTX são “imperativos” para prototipar.
2) Render final caro – Quando a ideia está fechada, pagas qualidade: Veo Standard (e, nalguns casos, tiers Pro) para o master final. Caso contrário, estás a queimar dinheiro em segundos que vão para o lixo à primeira ronda de feedback.
O que fica fora da calculadora (e rebenta budgets)
Aqui é onde muita gente se engana. O custo por segundo não inclui:
- Iteração (quantas versões até “bater” o guião)
- Consistência (personagem/brand ao longo de vários planos)
- Pós (grade, comp, limpeza de artefactos, áudio final)
- Especificações técnicas (há fornecedores que nem publicam codec/bit-depth, o que complica entregas sérias)
Se fizeres 6 versões para chegar ao “take” final, a tua conta real pode ser 6× — e é por isso que o workflow (Fast → Standard) virou regra.
Limitação que pode doer em 2026
O Sora 2 continua sem 4K nativo (fica em 720p/1080p), enquanto o Veo 3.1 posiciona-se como opção 4K. Se o teu deliverable é TV/OOH com exigência de detalhe, isto pesa na escolha — mesmo que o Sora seja mais barato por segundo no tier base.
Resta saber se, em Portugal, as agências vão começar a vender “segundos gerados” como commodity — ou se vão tratar isto como deve ser: produção, com planeamento, QA e responsabilidade editorial.
