Títulos deixaram de ser “a cereja” — são um activo de performance. Mas há uma linha que, se cruzada, rebenta confiança: o clickbait promete uma coisa e entrega outra, explorando o tal “curiosity gap”.
O guia de escrita lembra o básico que muita redação esquece: título tem de prometer benefício/curiosidade sem trair o leitor — e o texto tem de ser escaneável e honesto.
O método simples (que dá para uma redação portuguesa)
1) Testa duas intenções, não duas palavras
- Variante A: “utilidade” (promessa clara).
- Variante B: “curiosidade ética” (pergunta concreta, sem esconder o assunto).
O próprio guia recomenda títulos funcionais que adiantem a conclusão.
2) Métrica certa para não enganar a equipa
- CTR sozinho empurra para o exagero. Junta mais dois sinais:
- tempo na página / scroll
- taxa de retorno (ou subscrição, se houver)
3) Regra de ouro do “contrato”
Se o título cria um mistério, o primeiro parágrafo tem de o pagar imediatamente. Caso contrário, vira clickbait e a fricção volta em forma de bounce.
10 exemplos rápidos (PT-PT) para testar
- “Veo vs Sora: o preço real de 10 minutos de vídeo IA” / “Quanto custa mesmo gerar 10 minutos de vídeo em 2026?”
- “Água-marca invisível: o que a UE vai exigir a conteúdos IA” / “O teu vídeo ‘parece real’? Então vais ter de o marcar”
- “Stack IA até 100€/mês para PMEs” / “Com 100€ por mês, o que dá para criar com IA sem fazer figuras?”
- “Licenciamento GenAI: perguntas que salvam uma campanha” / “A imagem é tua… ou é um risco legal com boa cara?”
Fecho para a chefia: se fizeres A/B testing, faz também A/B de ética — porque o CTR sobe num dia, mas a confiança cai devagarinho e custa muito mais a recuperar.
